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Review: Gilmore Girls: Um ano para recordar


     Depois de vários anos, a Netflix tornou real o sonho de todo fã de Gilmore Girls e confirmou que os estranhos e únicos personagens de Stars Hollows iam retornar para novos episódios e que Amy Sherman-Palladino e seu marido Daniel Palladino iam finalmente poder escrever o final da série que sempre tinham planejado e a gente ia ouvir as tão famosas últimas palavras da série, que tinham ficado em segredo esse tempo todo.
     Mas vamos aos poucos, Um ano para recordar (ou A year in the life, no título original) são quatro episódios de aproximadamente 90 minutos cada, sendo que cada um deles se passam em uma estação do ano, começando pelo inverno, que no hemisfério norte é no final do ano, nesse caso de 2015.
     Um dos pontos principais desses novos episódios era como a morte do ator Edward Herrmann e consequentemente do personagem Richard Gilmore ia interferir na história, e a resposta foi enormemente, principalmente para a Emily, que nos últimos 50 anos tinha sido basicamente uma esposa da alta sociedade. Foi lindo ver a matriarca das Gilmore superando todas as dúvidas e inseguranças e descobrindo um estilo de vida completamente diferente como guia em um museu e talvez até com um novo namorado, além de não só se conformar com uma empregada por mais de um episódio, como acolher toda a família dela como se fosse a sua própria.
     Outro assunto que deu muito o que falar foi a vida amorosa da Rory, todo mundo se perguntava com quem ela ia ficar, principalmente quando todos os seus ex foram confirmados no revival, mas acontece que eles acabaram tendo exatamente o tipo de vida que eu imaginava. Dean sendo um homem de família cheio de filhos e morando em uma cidade pequena, Jess sendo um escritor bem sucedido e o Logan seguindo os planos da família e sendo um herdeiro rico.
     Esses dois últimos merecem uma análise mais detalhada, porque são os primeiros ciclos que se repetem nesse especial. Jess aparentemente vai ser o "novo Luke", ou seja, aquele cara que vai ficar anos apaixonado por uma mulher, dando todo o apoio e suporte que ela precisar, sem exigir nada em troca. E Logan se torna o "novo Christopher", ou o pai da criança que vai ficar com sentimentos mal resolvidos pela mãe do seu filho. Tá não ficou explícito que o filho da Rory é dele, mas é o mais provável, já que os outros candidatos são um wookie avulso ou o Paul, namorado que pelo que entendemos ela mal encontrava.
     Só para terminar esse assunto, quero falar que não gostei nada daquela história da Rory aceitar ser amante do Logan, muito menos do fato de ela tratar o namorado daquele jeito. De início o fato de ninguém lembrar dele foi até engraçadinho, mas quando entrou naquela história de "esqueci de terminar" foi ridículo e total falta de respeito com um cara que parecia bem legal.
     Preciso falar sobre o elenco, achei ótimo como eles conseguiram retomar os personagens como se nunca tivessem feito outra coisa na vida. O maior exemplo disso foi a Liza Weil, atriz que está atualmente no ar em How to get away with murder, série que aliás eu estava vendo uma semana antes de ver um ano para recordar, mas isso não atrapalhou em nada a carismática Paris Geller, em nenhum momento eu vi ela como outra coisa além da neurótica figura.
     Vamos agora falar do tão esperado encerramento da narrativa, que não encerrou definitivamente nada. Eu realmente não esperava que a Rory fosse ficar grávida, mas se você pensar, é o final que faz mais sentido, sendo esse o último ciclo se repetindo que vimos, porque assim como a mãe, ela ficou grávida inesperadamente, de um homem que ela amava, mas que não estava planejando criar uma vida junto, em um momento bem instável da vida e decidindo criar a criança por conta própria.
     Aliás esse final mostra que ás vezes tem males que vem para o bem, porque a Amy foi demitida da própria criação e nós ficamos anos na dúvida, mas foi por causa de tudo isso que vimos a Rory ficar grávida exatamente com a mesma idade que a Lorelai tinha na primeira temporada da série original. Uma simetria que nunca existiria se as coisas tivessem saído como o planejado.

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