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O Segredo do oceano

     
     

     O segredo do oceano é um livro muito interessante porque é uma fantasia, com seres mitológicos, mas não aqueles que normalmente são retratados como vampiros, bruxas e etc. Nesse caso se trata dos orixás e outras criaturas das religiões de matriz africana e isso muda tudo, pelo menos pra mim, porque tenho que admitir que não conheço muito sobre o assunto (erro meu, eu sei) então não dá pra saber direito o que pode acontecer, ao contrário de uma história que você lê e pensa "ah, ela vai resolver isso depois fazendo um feitiço"
     Mas vamos a narrativa do livro: Simideli (que no final do livro a escritora explica que quer dizer “me siga até em casa” o que somando com a narrativa, torna essa a melhor escolha de nome da história da literatura) é uma Mami Wata, o que a Disney nos apresentou como sereia, mas com uma missão muito mais importante do que dançar com peixes ou encantar marinheiros (aliás, quem afunda os barcos não são as sereias e também não é qualquer navio, tem um motivo muito específico). O seu papel é recolher as almas dos que morrem no mar, levar para Iemanjá abençoar e entregar para a viagem até Olodumarê, seu grande Ser supremo.
     Um certo dia Simi vê um homem ser jogado no mar, mas quando ela se aproxima, percebe que ele ainda está vivo, e contra todas as ordens ela decide salvá-lo.
     O que parecia um simples ato de compaixão, pode virar um grande desastre e para tentar remediar o seu mundo e ajudar o homem a cumprir a sua busca pessoal e familiar eles cruzam mares, encontram Orixás e enfrentam criaturas misteriosas.
     Falando assim parece até uma história meio boba, tipo a jornada do herói básica, mas é porque eu não consigo achar palavras para descrever melhor, sem dar muitos spoilers, só sei que você vai se apegando aos personagens (tirando o vilão que dá uma leve vontade de arrastar a cara dele no asfalto quente) e durante os três ou quatro capítulos finais eu tinha a sensação de conseguir sentir a tensão e adrenalina correndo pelas minhas veias.
     Vou citar algumas frases que a escritora Natasha Bowen comenta em uma nota no final do livro:

“Representatividade importa, não dá pra escapar do fato que leitores se engajam em histórias na qual se veem.”

“Me apresentou figuras de divindades poderosas que se parecem comigo”

“Que a compreensão e empatia deles cresça, e que fiquem maravilhados e fascinados com a magnitude da história, cultura e lendas africanas”

     Juntando isso com a Disney que eu citei lá em cima, temos o caso da pequena sereia. Alguns anos atrás foi lançado o live action com a Halle Bailey, que é uma atriz negra, como Ariel, que gerou toda uma discussão de como a Disney estava estragando a história, já que “não existem sereias negras” na época a resposta que muita gente deu era que “na verdade, não existe nenhum tipo de sereia, elas são seres fictícios” quando a resposta deveria ter sido “existe sim, se informe mais sobre outras culturas que não a eurocêntrica em que fomos criados”
     Fascinada, eu fui procurar essa mulher no Instagram (sim, virei geração z mesmo, e falando nisso segue a gente lá @tdb.e.mais) e acabei descobrindo que existe uma continuação e agora estou meio feliz porque a história segue, e a gente quer saber como a história segue depois daquele final, e também meio triste porque ganhei mais um livro para a minha lista de desejados já enorme e querendo gastar R$49.90 que não deveria. 

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