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Dica de livro: Sete anos entre nós

      


     Clementine está passando por um forte luto por causa da sua tia que morreu recentemente e deixou um apartamento de herança para ela, levando em conta os alugueis absurdos de Nova Iorque, ela resolve se mudar para lá. Sei como é, também estou exatamente na mesma situação, só que no caso me mudei para Porto Alegre, não um prédio na Upper East side com pombos morando no condicionador de ar.
     Os dias de Clementine se dividiam na tristeza pela perda dessa pessoa muito querida, programas com as amigas e seu trabalho em uma editora de livros, até um dia em que ela acorda e tem um homem no apartamento que ela não faz ideia de quem seja, a princípio parece um erro, ela até expulsa o homem, mas conforme ela começa a prestar atenção, vê pequenos sinais no apartamento, como coisas que ela sabe que já quebraram ou que ela guardou para colocar as suas próprias coisas no lugar e lembra de uma história que a sua tia sempre contava, sobre o apartamento ser mágico, como um portal para viagens no tempo, para sete anos no passado, pra ser mais precisa, mas ela nunca acreditou, até aquele momento.
     Iwan é filho de uma grande amiga da tia Analea e como ela e Clementine tinham o hábito de viajarem juntas, ela emprestou o apartamento enquanto estivesse fora, para ele organizar sua nova vida em Nova Iorque.
     A nossa protagonista resolve deixar ele ficar, mas começa a perceber que pode estar quebrando uma das regras mais importantes da sua tia: não se apaixonar no apartamento. E essa regra existe por um motivo, você não controla as viagens no tempo, você pode sair de casa para ir trabalhar em uma linha do tempo e no final do dia, quando voltar, estar em outra, como que pode se manter um relacionamento assim?
     E a gente não pode nem culpar a Clementine de saber da regra e se apaixonar assim mesmo, porque esse homem é lindo, com sorriso torto, com sardas, mandíbula quadrada e cozinha muito bem, inclusive ele resolve ser chef de cozinha por causa da relação fofa com o avô e a torta de limão que ele ensinou. Aí foi covardia pra mim, porque torta de limão é uma das minhas sobremesas preferidas, na verdade virei uma “Sommelier de torta” porque em todas as cafeterias, padarias e supermercados que frequento e vende, provavelmente eu já comprei uma fatia. Ou seja, te entendo amiga, faria o mesmo.
    Talvez, se vocês leram minhas reviews ou viram alguns posts nas minhas redes sociais, devem ter percebido que eu tenho uma forte tendência a me apaixonar por homens que não existem, mas é um romance, ele foi escrito para ser apaixonante. A culpa é minha se Abby Jimenez, Ashley Poston e várias outras romancistas são incrivelmente boas no que fazem?
     Mas acho que o ponto mais forte desse livro é que ele é uma junção de várias pequenas partes, ou o amontoado colado de árvores mortas, como a própria escritora descreve: o romance inesperado que aparece no momento que você menos espera; o lado fofo do Iwan chamando a Clementine de “limãozinho” porque quando está pensando faz uma cara que parece que chupou limão; o lado triste e doloroso do luto por uma grande perda e a batalha de como lidar com isso, aliviado pela presença de amigas que sempre vão estar ali quando você precisar e a lembrança de todas as versões que você já foi em cada fase da sua vida, e como elas são diferentes em algumas coisas, porém iguais em outras, mas tudo bem, porque as coisas mudam e cada uma delas formam o que você é hoje.

Destaques:
     "Você pode dançar e pronto, limãozinho. Pode conduzir os passos. -E você vai seguir? -Até a lua e de volta à terra"

     "Ele chegou um pouco para trás e me fitou com aqueles lindos olhos de tempestade, como nuvens antes da primeira neve do outono."

     "Era o homem com os olhos de pedras preciosas, o sorriso torto e as falas adoráveis por quem eu sentia minha alma se derretendo."

     "A vida nem sempre é como nós planejamos. O truque é aproveitar ao máximo quando as coisas saem do nosso controle."

     "Eu acho que nada dura para sempre. Nem as coisas boas nem as ruins. Então encontre o que te faz feliz e faça pelo temo que puder."

     "Era o tipo de dor que não existia para ser curada um dia por palavras bonitas e boas lembranças. era o tipo de dor que existia porque, numa época minha tia existiu. Eu carregava comigo essa dor e esse amor e aquele dia terrível. Eu me acostumei com esses sentimentos. Caminhava com eles."

     "E o jeito como ele disse o meu nome naquele momento pareceu uma promessa, um juramento contra a solidão e a mágoa. e pude ouvir como a língua dele envolveria cada letra do meu nome pelo resto da minha vida."

     "Tive vários encontros, beijei muita gente, tentei me apaixonar um monte de vezes, mas só conseguia pensar em você. - Durante os setes anos? - Dois mil quinhentos e cinquenta e cinco dias. Não que eu estivesse contando - acrescentou, porque obviamente estava."

     "Porque as coisas que importavam de verdade nunca iam embora. O amor fica. O amor sempre fica, e nós também."

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